Setembro Amarelo: unindo forças em campanha de preservação da vida

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O mês de setembro foi totalmente dedicado a um assunto ainda pouco discutido em sociedade, mas que merece a atenção de todos. A campanha “Setembro Amarelo”, realizada nacionalmente, tem por objetivo colocar em amplo debate o tema ‘suicídio’.

Como forma de conscientizar e estimular o diálogo a respeito deste assunto, a Associação dos Delegados de Polícia do Estado de Mato Grosso do Sul (Adepol/MS) preparou esta matéria, a fim de disponibilizar informações importantes acerca do tema. Acompanhe:

Os números da Organização das Nações Unidas são alarmantes. Segundo a ONU, o suicídio é a segunda principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos de idade, com mais de 800 mil casos por ano em todo o mundo, e de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o suicídio é a única causa de mortalidade que não teve redução no número de casos nos últimos 50 anos.

Para entender como a Polícia Civil procede nas ocorrências de suicídios, o Delegado Marcio Shiro Obara, Titular da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Homicídios (DEH), explica que as diligências realizadas nesses casos visam esclarecer se o suicídio contou com o envolvimento de terceiros – mencionados nas figuras de indução – com o intuito de reforçar na vítima a ideia de auto execução.

“As investigações iniciam-se com o levantamento acerca da vida e últimos momentos da vítima que, dependendo do caso podem ser anos, meses, semanas antes do ato que nos permite traçar um perfil que geralmente está ligado a problemas de saúde, psicológicos, financeiros, desestabilização familiar e social, uso de drogas ou psicotrópicos. Muitas vezes essas motivações estão presentes na vida da vítima de maneira conjunta, potencializando os efeitos nefastos e dificultando a procura especializada”, destaca Marcio.

Foto: Divulgação Polícia Civil MS

De acordo com o delegado, as investigações dos casos de suicídio são formalizadas mediante a instauração do Inquérito Policial, não sendo comum o indiciamento de terceiros na prática de induzir, instigar ou auxiliar na prática do suicídio, mas é possível concluir nas investigações um quadro de desamparo, desespero e falta de perspectiva de vida nas pessoas que se auto eliminam.

“Este problema atinge pessoas de todas as classes econômicas e, no contexto de prevenção ao suicídio, verificamos atualmente diversas campanhas e projetos desenvolvidos na área de saúde, seja em âmbito federal, estadual e municipal”, diz o delegado.

Mesmo que hajam procedimentos protocolares e administrativos a seguir nesses casos, Marcio Shiro ressalta que há momentos ou situações em que a intervenção da Polícia deve dar lugar ao apoio familiar, a compreensão e humanidade, o que consequentemente contribuirá com a preservação e valorização da vida.

 

É a partir daí que entra em cena a ajuda especializada de profissionais como a psicóloga Claudia Malfatti, especialista em Saúde Mental. Em uma frase ela define uma das possíveis causas de suicídio. “Quem se mata, na verdade não quer morrer, mas sim se livrar de uma dor que beira o insuportável”.

Foto: Arquivo pessoal

A especialista afirma que a psicologia, por meio da psicoterapia, tem papel fundamental na prevenção do suicídio, pois permite que a pessoa em sofrimento trabalhe suas questões conflituosas. Contribui para o fortalecimento do ego e oferece a possibilidade de ressignificar pensamentos, emoções e sentimentos. Dessa forma, favorece a saúde emocional e, consequentemente, melhor qualidade de vida. 

Segundo Claudia, 90% das mortes por suicídio são em decorrência de transtornos mentais e, ainda de acordo com a OMS a depressão é a principal doença relacionada ao suicídio. Mas isso não significa que quem tem depressão necessariamente irá tentar tirar a própria vida.   

“Os pais devem observar o comportamento dos filhos. Qualquer mudança de atitude deve ser vista como um sinal. É importante tentar manter o diálogo. Os jovens muitas vezes se fecham e não permite essa aproximação dos pais. Os pais devem levar a sério qualquer fala dos filhos em relação ao desejo de morte, desesperança na vida. São falas que demostram sofrimento real, é uma forma de tentar demonstrar que existe uma dor”, explica a psicóloga.

Quando o assunto entra no quesito divulgação através da mídia, a psicóloga relata que em Mato Grosso do Sul a maioria dos veículos de comunicação tem destinado cada vez mais espaço ao tema. “Abordam de maneira coerente, visando à prevenção. Infelizmente, essa realidade não se aplica a todo o País. Muitos acreditam que falando no autoextermínio vão incentivar outras mortes. Isso é um mito. Por que falar em prevenção ao câncer de mama, prevenção a doenças sexualmente transmissíveis e não falar em prevenção ao suicídio? Esse tabu precisa ser superado”, afirma Claudia.

Para a especialista, o assunto precisa ser trabalhado desde a universidade. “São nos bancos acadêmicos que os temas tabus precisam ser esclarecidos. Especificamente em relação ao suicídio, ficou-se a impressão de que discutir o assunto é pior, que incentiva. Pelo contrário, se divulgado de forma consciente e esclarecedora só ajudará a sociedade e aqueles que têm ideações suicidas”.

Em relação aos jovens, Claudia Malfatti alerta que os comportamentos suicidas normalmente estão associados ao humor depressivo, uso de álcool, drogas, conflitos familiares, bullying, pressão social para o sucesso, entre outros, além de serem mais impulsivos. “É importante lembrar que a adolescência em si é uma fase muitas vezes conflituosa, de descobertas, incertezas. Período em que os jovens tendem a lidar com as situações de forma extrema, ou é tudo ou é nada, ou amam ou odeiam. A intensidade que dão aos acontecimentos é maior, a impulsividade também está muito presente”, esclarece.

Serviço: Na rede pública, o local de atendimento é o Centro de Apoio Psicossocial (CAPS). As Universidades que têm curso de psicologia oferecem atendimento psicoterápico por meio da Clínica Escola. Existem também os profissionais que atendem em clínicas particulares.

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