Delegado acostumado a lidar com investigações de crimes conta que se surpreendeu com duplo homicídio que vitimou ex-vereador de Campo Grande e esposa

0
Foto: Reprodução

Um dos crimes mais bárbaros e violentos foi registrado pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, na última semana. No dia 18 de julho, o ex-vereador de Campo Grande, Cristóvão Silveira, e a esposa, Fátima de Jesus Diniz Silveira, foram assassinados no próprio sítio do casal, na saída para Rochedo. Segundo a Polícia, o caseiro do sítio e seus dois filhos são os autores dos homicídios. O caso ganhou destaque em diversos veículos de comunicação locais.

Para entender a complexidade de uma investigação policial empenhada em solucionar este tipo de crime e saber foi a atuação integrada entre as forças de segurança, o Titular da Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros (GARRAS), Delegado Fábio Peró, que foi o responsável por conduzir as investigações dos homicídios, relata como foram desenvolvidas as ações das polícias Civil e Militar.

“As investigações iniciaram-se após o recebimento da informação de um suposto duplo homicídio ocorrido na Fazenda Bem Te Vi, situada no distrito de Aguão. Inicialmente, a equipe do GARRAS obteve a informação de que o caseiro, que teria “sobrevivido” ao crime, estaria sendo socorrido na Santa Casa. Em ato continuo, as equipes deslocaram-se até aquele local, onde já se encontravam algumas equipes do CHOQUE/PM. Desde então, as diligências passaram as ser efetuadas em conjunto, o que contribuiu para o êxito das investigações”, conta o Delegado Fábio Peró.

De acordo com o Delegado, as apurações do crime indicam que tudo ocorreu por volta das 15 horas do dia 18 de julho. As equipes do GOI (Grupo de Operações e Investigações) e da Policia Militar foram até o local do crime para a realização dos levantamentos preliminares e dos exames periciais. Durante a diligência, alguns pontos controversos foram identificados. As equipes do GARRAS acompanharam o desenrolar dessas primeiras diligências até que uma equipe foi até a Santa Casa para a obtenção de novas informações com o caseiro do sítio, Rivelino Mangelo.

A troca de informações entre todas as equipes que estiveram envolvidas na investigação levaram os policiais a realizar diligências com o fito de prender os autores do crime.

Celeridade nas investigações
Este caso foi solucionado com considerável rapidez. O Delegado Peró conta que a maioria dos crimes, principalmente homicídios, é solucionada com um bom levantamento de local, e com esse crime não foi diferente “equipes do GOI, que estiveram no local do crime, efetuaram alguns levantamentos suspeitos, o que motivou diligências do GARRAS na continuidade das investigações”.

Em relação à agilidade com que o duplo homicídio foi solucionado, Peró afirma “depende do entrosamento entre as Polícias, independente da força que atuam, seja ostensiva ou repressiva”. O Delegado explica que, nesse caso específico, todas as forças realizaram suas funções rapidamente e repassaram as informações para a continuação do processo de investigação.

Peró ressalta que todas as diligências foram realizadas ininterruptamente pelas equipes, o que foi o grande trunfo da Polícia para prisão dos autores.

A diligência realizada na cidade de Anastácio quase culminou na prisão de Diogo (sobrinho do caseiro que foi cúmplice nos crimes) que ficou com o veículo que pertencia às vítimas e estava desaparecido, mas a polícia de Corumbá conseguiu visualizar a caminhonete e tentou efetuar a abordagem, contudo o motorista com o intuito de se evadir do local, jogou a caminhonete em uma ribanceira e fugiu. Já Diogo acabou morrendo durante confronto com a polícia.

Comandando as investigações do caso
Ao estar à frente das investigações deste duplo homicídio que causou indignação, o Delegado classifica este caso como sendo o mais notório do ano, tendo em vista a brutalidade, covardia e pelos detalhes chocantes.

“Mesmo estando à frente das diligências, temos que reconhecer que nos momentos difíceis é que a Polícia tem que mostrar sua força e os resultados para a sociedade. Já havia trabalhado em inúmeras investigações envolvendo crimes de homicídio, incluindo o do Agente Penitenciário em 2015, contudo, o crime praticado contra essas duas vítimas me surpreendeu, ainda mais pelos detalhes de como as vítimas foram cruelmente assassinadas, e também pelos detalhes do pós-crime”, conta o Delegado.

Peró destaca que esse trabalho foi realizado em conjunto com as outras forças policiais e envolveu grande esforço das equipes. Além disso, as diligências foram feitas sem interrupções, com deslocamentos das equipes saindo de Campo Grande para Anastácio e também com deslocamento para realização do cerco ao último envolvido que homiziou-se na região de Corumbá.

“Esse tipo de crime é praticamente impossível de ser evitado, visto que se trata de ação realizada por autores que realizam um pré-levantamento da rotina das vítimas, e nesse caso, havia a participação de funcionários. Mas a repressão por parte da polícia judiciária deve ser rápida e assertiva. A prisão dos autores não trará a vida das vitimas de volta, contudo, a polícia realizou seu papel, tentando minimizar a dor da família e amigos, os quais esperam uma resposta à altura por parte da Justiça”, disse o Delegado.

A população pode colaborar com a polícia
Em casos dessa magnitude a população pode ajudar a polícia nas investigações. Por isso, o Delegado esclarece que “a polícia trabalha em prol da sociedade, e a sociedade deve ter a polícia como aliada, a população não deve temer denunciar o que vê de errado, pois somente com denúncias é que as forças policiais podem direcionar seus esforços e prestar assim um melhor serviço à população. Sem dúvida que o melhor canal de denúncia é o 190. Existe ainda um canal de denúncias específico para o tráfico de drogas, DENAR, 3345-0000/0001”, reforça Fábio Peró, Titular do GARRAS.

Deixe uma resposta